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18/08/2009 Gripe Suína - Informe Técnico

INFLUENZA SUÍNA

INTRODUÇÃO

A Influenza suína é uma doença respiratória causada pelo vírus Influenza tipo A que normalmente causa surtos de gripe em porcos. Em geral este vírus não infecta o homem, no entanto, existem registros de transmissão pontual para humanos, como as autoridades sanitárias do México (www.salud.gob.mx) e dos Estados Unidos (www.cdc.gov) reportaram recentemente. Entre as amostras analisadas foi identificada uma nova variante genética do vírus de influenza suína (A/California/04/2009 - A/H1N1) com potencial de transmissão pessoa-pessoa por meio de secreções respiratórias. Não há registro de transmissão da influenza suína para pessoas pela ingestão de carne de porco e produtos derivados.

ETIOLOGIA

Os vírus influenza são vírus RNA de hélice única da família Ortomixiviridae. Podem sofrer alterações em sua estrutura genética, propiciando o surgimento de novas cepas, contribuindo para a ocorrência de epidemias e pandemias de gripe. Este fenômeno é mais freqüentes no vírus do tipo A, que infectam humanos, suínos, cavalos, mamíferos marinhos e aves, contribuindo para a existência de diversos subtipos. Estas variantes são responsáveis pela ocorrência da maioria das epidemias de gripe, como no caso da gripe suína.

MECANISMOS DE TRANSMISSÃO

O vírus da influenza é transmitido de forma direta de pessoa a pessoa principalmente por gotículas geradas por tosse, espirro ou fala. Estas partículas não permanecem suspensas no ar, mas atravessam uma distância pequena (geralmente 1 metro ou menos) e se depositam diretamente na conjuntiva ou nas mucosas nasal ou oral de uma pessoa susceptível.

Alternativamente, pode ser transmitido de forma indireta por meio das mãos que, após contato com superfícies recentemente contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo infectado, podem carrear o agente infeccioso diretamente para a boca, nariz e olhos.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 1 a 4 dias.

PERÍODO DE TRANSMISSÃO:

Indivíduos com infecção por influenza A (H1N1) devem ser considerados contagiosos até 7 dias após o início dos sintomas ou até total resolução dos sintomas.

Como infecções pela influenza suína podem ser assintomáticas, indivíduos infectados podem transmitir o vírus mesmo na ausência de sintomas.

SINAIS E SINTOMAS CLÍNICOS

Os sinais e sintomas clínicos podem variar desde infecção assintomática até formas graves. Em geral os sintomas surgem subitamente, após 1 a 4 dias de incubação (com média de 2 dias ), e caracteriza-se por: estado febril agudo (tax ≥ 38ºC), que pode durar até 7 dias, calafrios, cefaléia intensa, prostração, tosse, odinofagia, congestão nasal, coriza, mialgia e artralgia. Diarréia e vômitos podem ocorrer, mas são mais frequentes em crianças. No caso da infecção pelo vírus influenza suína os sintomas também podem variar desde leve infecção do trato respiratório até um quadro clínico de pneumonia grave.

DIFERENCIAL EM RELAÇÃO À INFLUENZA DE HUMANOS

A evolução da infecção por influenza não pandêmica tem curso usualmente benigno com desaparecimento da febre em média em 3 dias podendo se estender até uma semana. Por sua vez, os sintomas respiratórios associados podem persistir por 1 a 2 semanas, e até 6 semanas em pacientes imunodeprimidos.

A definição de caso suspeito pelo Ministério da Saúde é a seguinte:

1. Apresentar alta de maneira repentina, superior a 39ºC, acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações,
2. Ter como procedência áreas onde casos da doença foram confirmados nos últimos 10 dias (no momento México, Estados Unidos, Israel, Espanha, Inglaterra, Canadá e Nova Zelândia).

A definição segundo o CDC, EUA de caso confirmado é o indivíduo que apresenta quadro de doença respiratória febril aguda (acima de 39ºC) e sinais e sintomas compatíveis com infecção por influenza, com exames laboratoriais que confirmem a Influenza suína, por meio dos seguintes testes:

1. Real time RT-PCR,
2. Cultura viral,
3. Aumento de 4 vezes nos títulos de Anticorpos neutralizantes especificos para Influenza A (H1N1)

A definição segundo o CDC, EUA de caso suspeito é todo indivíduo que possui teste positivo para vírus Influenza A, não específicos para subtipos sazonais ou com quadro clínico compatível com a doença ou que evoluiu para óbito de uma doença respiratória aguda inexplicada com epidemiologia de risco com um caso confirmado.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Os procedimentos apropriados de coleta, transporte, processamento e

armazenamento de espécimes clínicos são de fundamental importância no diagnóstico da infecção viral. O espécime preferencial para o diagnóstico laboratorial é a secreção de nasofaringe.

Tradicionalmente, o diagnóstico laboratorial da infecção por Influenza consiste na detecção de vírus respiratórios por (i) Imunofluorescência direta, pesquisada nos espécimes respiratórios, (ii) pela técnica de PCR ou (iii) pela inoculação em culturas celulares. No caso da gripe suína, o diagnóstico por imunofluorescência direta não é efetivo, restando, de forma prática, os ensaios moleculares. As técnicas de biologia molecular com Reação de RT-PCR e sequenciamento genético são os métodos mais específicos para o diagnóstico, pois permitem a identificação e caracterização da cepa circulante, através de análises de similaridade com as variantes já descritas.

No momento, o diagnóstico específico do H1N1 é por exclusão. O PCR amplifica seqüências específicas do Influenza A. Posteriormente a amostra é testada para ensaios que excluem os sub-tipos não suínos do Influenza A.

A sorologia para influenza não serve para diagnóstico dos quadros agudos, uma vez que a presença de anticorpos no sangue ocorre apenas no período de convalescença.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

No diagnóstico diferencial da influenza deve ser considerado um grande número de infecções respiratórias agudas de etiologia viral. Dentre essas, destacam-se as provocadas pelo Vírus Respiratório Sincicial (VRS) e pelo Adenovírus. Na infecção por Influenza, os sintomas sistêmicos são mais intensos que nas outras infecções.

TRATAMENTO E PROFILAXIA

Para a influenza, existem medicações disponíveis, com eficácia tanto para o tratamento quanto para a profilaxia da doença, cujo uso adquire um papel estratégico nas fases iniciais da influenza pandêmica. Evidências mostram que estes medicamentos não interferem na eficácia das vacinas inativadas contra o vírus influenza.

Segundo o CDC, tanto a Amantadina quanto a Rimantadina não tem atividade contra o vírus da Influenza suína. Os inibidores da neuraminidase, Oseltamivir e Zanamivir inibem o vírus da Influenza suína quando utilizados até 36 horas do início dos sintomas. O Ministério da Saúde tem estoques destes medicamentos que serão utilizados nos casos suspeitos.

Analgésicos e antitérmicos são usados para minimizar os sintomas. Recomenda-se não utilizar medicamentos à base de ácido acetil salicílico devido a associação com síndrome de Reye.

A vacina contra Gripe que está sendo aplicada não protege contra o vírus da gripe suína. De qualquer forma, esta vacina deve ser utilizada para proteger contra as demais cepas do vírus Influenza circulante.
 
 




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